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O SILÊNCIO RACISTA DA INTERNET - Dear White People é sobre vocês também

24/07/2017

 

Há alguns dias [publicado originalmente em D Ideiaestreou uma série na Netflix, entre tantas outras já existentes na plataforma; mas desta vez com um diferencial: sobre e com personagens negros. Logo nos EUA, a série sofreu uma enxurrada de comentários negativos e ameaças de boicote, tão somente com a publicação do teaser, de pessoas brancas que se sentiram ofendidas com o conteúdo do serviço de streaming, lançado no Brasil dia 28 de abril. Qual série?

 

DEAR WHITE PEOPLE,

cá pra nós: Cara Gente Branca.

 

Confesso tamanha empolgação após assistir toda a primeira temporada, até cri que a Senhora Internet branca, que sobre tudo comenta - desde hashtags a eventos engajados pautados por ela mesma -, fosse fazer algum burburinho sobre a tal série de uma menina negra que comanda um programa de rádio dentro de uma universidade racista e outros personagens negros e brancos acerca de um problema tão bem conhecido (e vivido) por nós brasileiros. Mas e então, o que eu escutei da branquitude sobre a série?

 

 

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Como muito bem observou Gabriela Moura em seu texto, cadê as análises da galera especializada em tudo, principalmente séries e comportamento humano?  Cadê branquinhas e branquinhos bacanudos da Internet comentando a série? Cadê?! "Ahhhh, mas não é meu lugar de fala debater o racismo". Jura?, me pergunto sorrateiramente. Olha como é fofa quando quer se fazer de bobinha a branquitude... até tenta... mas sem êxito!

 

Há quem diga ser inocência esperar comentários da branquitude. Não há nada de inocente. O que estou questionando aqui é a responsabilidade para com o debate. Afinal... O RACISMO É UMA INVENÇÃO BRANCA! Uma invenção que deu tão certo, mas tão certo, que há quem pense que desde sempre foi assim. Logo, minimamente, o que se espera de vocês, brancas e brancos, é que sejam responsáveis pelo debate também. Se direi qual o lugar de fala vocês? Ahhh, esse vocês bem sabem; e se não sabem, procurem-no. Faz parte do processo, né?!

 

A questão é que justamente vocês, que tanto nos tentam convencer o quão são pessoas melhores e maravilhosamente desconstruídas por adorarem o meu cabelo, desejarem ter a minha cor de pele, terem um avô-pai-mãe-parente preto, por "a moça que trabalha lá em casa é como se fosse da família" ou mesmo por namorar ou ter namorado uma negra ou um negro, e assim por diante... afinal, vocês não são racistas, não é mesmo?! O sistema que o é.

 

Apois... vem cá que vou contar uma coisinha no ouvidinho branco de vocês:

 

VOCÊS SÃO O SISTEMA!

 

Um sistema que desumaniza e invisibiliza a negritude o tempo inteiro. Um sistema que constrói para si um padrão de universalidade branca o qual jamais é questionado. (Duvida? Pesquisa no Google "ser humano", "homem" ou "mulher" e conta quantos negros e negras ali estarão entre os resultados). E que naturaliza a existência de vocês como o normal, o padrão, o “humano”. “Ahhh, mas somos todos seres humanos”, grita de pé a branquitude altiva. Então, vamos lutar pela humanização dos coleguinhas pretos e pretas? Ouve-se ao longe um “Ahhhh...”, quase inaudível.

 

 *andar no seu próprio bairro

 

Pois é este sistema em que ninguém quer assumir o privilégio de poder estar numa manifestação com uma garrafa de detergente e não ser preso por isso; de poder andar na rua sem parecer uma ameaça à sociedade; de entrar nos lugares sem ser olhado pela segurança; de não ser encaminhado para o elevador de serviço, ou mesmo ter uma arma apontada para sua cabeça numa festa dentro de uma universidade apenas por não apresentar o documento identidade.

 

"Dear White Poeple" é sobre vocês, sim! O debate ali pautado é sobre vocês. A garota negra que resolveu produzir um programa de rádio na universidade racista é sobre vocês. O negro que tem que provar o tempo inteiro o quão é inteligente dentro da universidade é sobre vocês. A garota bonita e solitária que precisa sofrer com rituais estéticos para se sentir aceita é sobre vocês. A festinha de faculdade com jovens inocentes que só querem se divertir fantasiados de negras e negros é sobre vocês. A manutenção dos privilégios dentro de um sistema estrutural e estruturante que é o racismo é sobre vocês.

 

E quanto a negada? Ah, tá em alvoroço! (Confesso que já quero uma segunda temporada e mais profundidade nas questões de Joelle Brooks e Coco Conners, minhas favoritas!). Tudo bem que alguns pretos e pretas tenham achado a produção um verdadeiro “nada de mais”. Compreendo. Afinal, muito ali discutido a gente “já sabe de cor (e põe cor nisso!)”, sabe por que A GENTE VIVE aquilo. Mesmo que não tenhamos conhecimentos acadêmicos sobre alguns assuntos (e precisa?). Fato é que não precisamos (nem queremos!) que ficção alguma nos mostre o “nosso lugar” tão bem imposto e mantido por vocês durante séculos. A diferença é que estamos no centro dessa vez. E vocês, como estão se saindo? Sem palavras, né?! É por isso que o silêncio de vocês diante da série é pura e simplesmente sobre vocês!

 

Então, sabem o que tenho a dizer sobre o tal LUGAR DE FALA de vocês?

ESTÁ CALADO.

 

Pois vosso SILÊNCIO RACISTA já me mostrou, querida CARA GENTE BRANCA.

 

PS: E aos pretos e pretas da minha rede social, caso não tenham acesso à Netflix para assistir à série e trocarmos figurinhas depois, manda mensagem que compartilho a senha.



 

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