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PRETA Fabrina Souza, Abolição

Abolição

Moço bonito se você soubesse que esta preta aqui é letrada, que pensou que estando assim... formada deixaria para trás a menina rejeitada A última a ser beijada, a que não era cortejada, para beleza, recusada a escolhida para ser abusada.

Se você soubesse

que a medida que a minha pele escurece mais a solidão me aquece congela meus sonhos, sabota minha prece me afastando do que me apetece. Traz a tona o que me enfurece mantendo o que me entristesse e no coração um vazio que me padece.

Moço se você apenas pudesse

olhar além da minha silhueta Visse além de uma bunda perfeita e enxergasse que esta mulher preta é muito mais que uma ninfeta. Que a sociedade machista e careta usa seu corpo, mama sua teta mas não vê alguém que se respeita.

E não importa, moço, a sua cor

Esta preta não é digna do seu amor porque não te dá status de doutor. Ela acende o seu vigor mas não ascende o social valor para ela, o juramento, há de se opor: Na pobreza, na tristeza, na doença e na dor. Nos dias melhores, Neguinha, saia por favor.

Moço se você soubesse o que esta Preta entendeu que o exílio não é um estado só seu. Mestrado e doutorado, muita gente escreveu. e o título anda junto com a solidão, ninguém compreendeu A escravidão do amor que nunca será seu Dos abusos por um afeto que ninguém te prometeu.

Moço se a marchinha vem dizer que a minha cor não pega e você se acha no direito, vem e se esfrega, pega, nega e me renega. Mas no colo não me carrega. Pega mas não se apega. Tens a vida fácil, sossega! Por um amor, já ficou muda, surda e cega.

Moço, mas ela sabe,

que é como desatar nós no escuro Nós na garganta, vida em apuro O canudo não mudou o seu futuro Mas impediu que ela seguisse no obscuro. Hoje esta preta sabe sua condição: Que o conhecimento liberta, mas não abole a solidão.

PRETA Fabrina Souza

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